sexta-feira, 14 de maio de 2010

' meu mundinho virtual

Há algum tempo, quando agente tinha vontade de fugir do mundo, de sumi por um tempo o melhor lugar era nosso quarto. Agente ficava horas e horas deitados na cama, às vezes pensando, outras chorando. Mas nosso quarto era nosso refúgio preferido.

O tempo passou, e o nosso refúgio mudou. Se modernizou. Hoje quando agente quer sumir do mundo real, corremos logo pra frente do computador.

Lá, esquecemos nossos problemas por uns minutos, umas horas. Construímos praticamente uma vida na internet. Fazemos amigos, conhecemos pessoas, nos apaixonamos...

Pensamos que nesse mundo virtual as coisas são mais fáceis, que ao desligarmos o PC, aquele mundinho fica esquecido por um tempo. Geralmente é assim mesmo que acontece.

Mas e quando aquele tal mundinho não fica de lado ao desligar o PC? E quando aquela sua vida virtual entra na sua vida real de maneira inesperada e inexplicável? E quando as amizades se tornam importantes de tal maneira que passar um simples dia sem falar com aquela pessoa já te faz ficar triste? O que parecia ser uma maneira de se refugiar acaba se tornando um outro motivo pra querer fugir de tudo, no caso, fugir do mundo virtual. Mas pra onde ir agora? Se quando você tava no mundo real, você se refugiou no mundo virtual? Pra onde ir quando o mundo virtual te faz sofrer mais que o próprio mundo real? É, porque quando se tem um problema com aquele amigo que você vê diariamente, ou que mora só ali na cidade do lado é simples. Vai lá, olha na cara dele e fala tudo. Depois, dá um abraço, fala olhando nos olhos dele que a amizade de vocês é muito importante. E se o grande amigo, a pessoa que você tanto ama morar há milhares de km de distância? Quando ele sumir sem dar notícias do MSN e não deixar nenhum recado no Orkut, como fazer pra saber o que aconteceu? O tradicional telefone às vezes ajuda. Mas e se a vontade de ver a pessoa for bem maior do que a simples vontade de ouvir a voz ou teclar pelo MSN? Não dá pra simplesmente entrar em um ônibus com uma mala a sair ao encontro da pessoa. É bem mais complicado. Tem momentos em que só o que queremos é dar um abraço bem apertado naquela pessoa, mas não podemos. Então sofremos tanto... Em um dos momentos de tristeza envolvendo meu mundo virtual, me lembrei de uma frase de um dos meus livros preferidos: “eu não podia permitir que ele tivesse esse nível de influência sobre mim. Era patético. Pior que patético, não era saudável...”

Como uma pessoa qe agente nunca viu pode ter a capacidade de lhe causar uma saudade tão grande? De fazer você chorar por causa dessa saudade, ou se morder de ciúmes... Como entender o que se passa em nosso coração nessa situação? Exagero, carência...

Você pode até chamar disso, ou dar outros nomes a esse sentimento. Eu usaria um nome melhor, mais apropriado talvez: AMOR. Sim, amor. Quem disse que a distância e a ausência impedem que aja amor entre duas pessoas? Pena que essa forma de amar seja tão linda e tão dolorosa ao mesmo tempo. Mas que forma de amar não é assim?


|12-05-2010|

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